Em 13/06/2020 às 12h50


Histórias da virada: jogadores, torcedor, preparador e jornalista lembram título da Mercosul

Por: Matheus Babo

São Januário, Rio de Janeiro

A TV Bandeirantes reprisa neste domingo, às 16h, a maior virada da história. Palmeiras 3 x 4 Vasco, pela decisão da Copa Mercosul, em 20 de dezembro de 2000, no Parque Antártica. Para esquentar o jogo, o Site Oficial do Cruzmaltino conversou com alguns personagens daquela conquista. A ideia foi trazer diferentes visões de quem esteve presente em um dia histórico para a história do Gigante da Colina e do futebol, no jogo que ficou conhecido como a "Virada do Século".

image
Postêr com os campeões posados antes do jogo no Parque Antártica (Foto: Reprodução/Jornal Extra)

Falamos com jogadores vascaínos que estiveram em campo, o então narrador da Rádio Tupi na época, Luiz Penido, que tem a narração do quarto gol, marcado por Romário, eternizada e lembrada até hoje pela torcida, um membro da comissão técnica: PC Gusmão, que era preparador de goleiros na época, e com um torcedor que saiu do Rio e estava na arquibancada do Parque Antártica.

CONFIRA OS DEPOIMENTOS

A VISÃO DE QUEM ESTEVE EM CAMPO

MOTIVAÇÃO, ESPERANÇA E FESTA APÓS A VIRADA

Romário - "Só acaba quando termina"

"Foi um momento especial não só pra mim, mas para todos aqueles que estavam no jogo. Foi histórico. Talvez tenha sido uma das grandes viradas do futebol mundial. Com um jogador a menos, o Júnior Baiano foi expulso no segundo tempo. O Palmeiras jogou muito melhor no primeiro tempo. Tiveram alguns momentos interessantes nesse jogo. Não vou falar o nomes dos jogadores. Mas quando tava 3 a 0, um jogador caiu e o outro foi lá apressar "vamos, vamos, vamos" e esse que tava caído falou: "já acabou, 3 a 0, já era". Eu olhei pra ele e falei: "calma, garoto, só acaba quando termina" e o jogador do Palmeiras falou "pô, Baixinho, essa tu perdeu". No intervalo eu sentei na ponta, como sempre fazia e o Joel veio e falou: "e aí, jogador?", eu pedi um tempo pra pensar, ele foi fazer a preleção. Nos reunímos na subida pro campo, conversamos e falamos que pra muitos podia estar perdido, mas pra gente não. Tinhamos que dar o jeito. A entrada do Viola nesse jogo foi muito importante. Ele desequilibrou. O melhor jogador desse jogo, na minha opinião foi o Juninho Paulista, jogou uma grande partida. No terceiro gol, eu errei e deu certo. E fiz só três gols" (Depoimento durante o programa Bem, Amigos, do SporTV)

image

Juninho Paulista - "Do mesmo jeito que eles fizeram três no primeiro tempo, podemos fazer três no segundo"
"Foi uma surpresa muito grande. Acho que se fosse uma outra equipe, já teria terminado. Lembro que chegamos no vestiário, estava um clima tenso, todos cabisbaixos e ouve uma frase assim: "Do mesmo jeito que eles fizeram três gols no primeiro tempo, nós podemos fazer três no segundo". Até demorou um pouco para sair o primeiro gol, né? Foi aos 14 minutos. O Palmeiras ficou totalmente sem confiança. Aos 23 veio o segundo gol. O gol do empate foi meu. Sobrou pra mim porque eu estava lá na área. Bate na perna esquerda do Romário e vem, pareceu um passe. Foi um dos poucos momentos de muita alegria na minha carreira. O quarto foi um extra, viu, porque o empate já estava de bom tamanho. Com um jogador a menos ainda... Pela circunstâncias do jogo. Foi um dos títulos mais importantes para a carreira de todos os jogadores e para o clube também" (Em depoimento ao programa Jogos para Sempre, do SporTV)

Euller - "Foi um jogo que marcou a vida de todos nós"
"Não tenho dúvidas que o meu jogo inesquecível com a camisa do Vasco foi a final da Mercosul de 2000. A virada histórica. Foi um jogo que marcou a vida de todos nós jogadores, comissão técnica, torcedores e aqueles que são amantes do futebol. Inesquecível. Não foi fácil. Foi um primeiro tempo onde o Palmeiras foi espetacular. Entrou com muita gana de vencer a partida. O Palmeiras fez por merecer aquele resultado no primeiro tempo. Na descida pro vestiário nós ficamos muito em silêncio no início, porque olhávamos um para o outro, víamos só jogadores de alto nível e não tinha muito o que dizer. Ouvimos as palavras do Joel, de incentivo, depois o Eurico Miranda também falou. Aconteceu a substituição, a entrada do Viola, que causou muito efeito. Algo primordial, antes de subir pro campo, nós demos as mãos, cada um falou um pouquinho. Começamos a ter palavras de humildade, falando não em reverter a situação, mas em diminuir aquela dor, o vexame. Isso quebrou um pouco o ego. Subimos e dentro de campo as coisas começaram a andar diferente. Não imaginava uma virada, mas as coisas foram acontecendo. Mesmo com um jogador a menos, com a expulsão do Júnior Baiano, nós conseguimos uma virada histórica"

Viola - "A satisfação de ser campeão daquele jeito, com aquela virada, foi fantástico"
"Os times se conheciam um pouco. Na concentração a gente assistia muito os vídeos do Palmeiras. As equipes tinham um conhecimento uma da outra. Era muito complicado decidir fora de casa. É um peso grande, mas se tratando de uma decisão, procuramos nos concentrar e estar ligado só naquele jogo, como se fosse dentro do Maracanã ou de São Januário. Quando se chegava no Parque Antártica, já se tem uma leve pressão da torcida palmeirense. Os vestiários ficam na boca do lobo, onde a torcida deles nos vê. Nós descemos do ônibus e fomos entrando direto. O Palmeiras começou na pressão. O que foi passado pelo Joel, na velha prancheta, que ele diz que tem uma coisa anotada, mas nunca tem nada ali (risos), era de que tínhamos que suportar a pressão inicial e depois deixar a torcida contra eles. As atenções da defesa estavam no Flávio, que articulava muito bem e no Tuta, que era um atacante forte, alto. O primeiro tempo foi bem nervoso. Pegado. O Juninho Paulista sempre foi muito inteligente. Pequeno, muito rápido. Ele percebeu que tinha um espaço pelo meio e que por ali a gente conseguia chegar de alguma forma. Quando o Palmeiras abriu o placar, o clima era bom pra eles. Estavam em casa, com a torcida a favor. Depois do terceiro gol, bateu um baixo astral geral. Mas a esperança era a última que morria. Eu estava com ela até o final. 

image

No vestiário, foi mexido com o brio de todos nós. Estávamos passando vergonha não só no Brasil, mas pra parte do mundo. Era televisão pra todo mundo ver. No vestiário foi muita gritaria, no intuito de incentivar. Todos nós estávamos nos sentindo envergonhados. Eu entrei no intervalo, com 3 a 0 pro adversário, fora de casa. No momento você fica "será que é uma gelada? fogueira? será que vou me queimar?". Mas eu já era rodada, sabia da responsabilidade. A intenção era ir pra cima. O Nasa saiu, era um jogador de marcação. A substituição foi muito correta. Parece que foi um botijão que tava em chamas. Meus companheiros me viram entrar com aquela vontade. Colocando uma correria. Acendeu nossa torcida. 

O espírito era de acreditar até o último minuto. Você vê que depois do primeiro gol, o Romário pega a bola e sai correndo pra reiniciar o jogo. Aquele era o espírito de vencedor. Eu sentia confiança total no Romário. Ele sempre foi um batedor excelente, muito frio dentro de campo. Depois, com toda sinceridade, nossa cabeça era em empatar o jogo. A expulsão do Baiano nos deixou bastante preocupados. Ele estava muito bem no jogo. Mas como ainda estávamos perdendo, acho que todos pensaram igual. Era tocar o barco. Na hora do empate, foi um alívio. Conseguir empatar aquele jogo foi inédito. Conseguimos respirar, recompor e dali pra frente, pensamos no que dava pra fazer. 

O gol da virada foi um momento de muita glória. De muita alegria. A satisfação de ser campeão daquele jeito, com uma virada daquela. Foi fantástico. Me arrepia" (Em depoimento ao programa Jogos para Sempre, do SporTV)

A VISÃO DA CABINE DE IMPRENSA

AS LÁGRIMAS DE PENIDO

Luiz Penido, narrador da Rádio Tupi em 2000
"O jogo inesquecível que eu narrei do Vasco foram vários, mas o jogo dos jogos é o Vasco 4-3 no Palmeiras. Aquele momento era tão fantástico pelo ineditismo. Ninguém esperava que o Vasco fosse conseguir uma vitória depois de estar perdendo por 3 a 0 no primeiro tempo, ter um jogador expulso... o Júnior Baiano levou cartão vermelho e o Vasco foi na garra, na raça na coragem. Aquele título conquistado foi realmente O JOGO. Parece que é o jogo da história do Vasco. Ele é muito marcante. Claro, o gol do Juninho, lá no Monumental, também é, mas esse jogo contra o Palmeiras supera tudo. O gol que a torcida quando me encontra na rua mais se lembra, fala, posta no Youtube, reposta, fala em todas as redes sociais é o gol desse jogo. É o gol que finalizou com chave de ouro a conquista da Copa Mercosul. O Romário fazendo quando ninguém mais esperava, nem o próprio Vasco, a verdade é essa. O lance foi tão comovente que ao narrar eu cheguei as lágrimas. E a galera do Vasco também. Tanto que esse é o gol ao qual os torcedores mais fazem referência. Eu acho que o torcedor gostaria de fazer justamente aquilo. E naquele momento, como eu amo o Vasco, eu fiz o que o torcedor faria porque eu também estava torcendo pro Vasco tanto quanto o torcedor que estava no bar, na arquibancada, em casa... ele gostaria de fazer aquilo vascainamente, genuinamente, com alma, coração. Eu inclusive fui às lágrimas e acho que entreguei o torcedor o que ele esperava de mim diante daquela virada, fulminante, emocionante e com título."




A VISÃO DA COMISSÃO TÉCNICA

ROLHA DE CHAMPANHE MOTIVOU OS JOGADORES

Paulo César Gusmão, Preparador de Goleiros do Vasco naquele jogo
"Aquele jogo foi diferente de tudo que já passei na minha vida profissional até hoje. Houve uma troca de comando. No sábado, jogo contra o Cruzeiro, o técnico era o Oswaldo de Oliveira e teve aquele problema com o Eurico e a demissão pós jogo. No domingo à tarde apresenta o Joel para a final na quarta. Ele não teve praticamente tempo nenhum de trabalho. O trabalho da comissão técnica foi fundamental naquele momento, pra assessorar o Joel, pra irmos para uma decisão tão difícil. Você vê, o próprio desempenho, como o grupo sentiu a troca de comando. O grupo tinha um carinho muito grande pelo Oswaldo, a forma de comando dele. E o grupo sentiu. Foi o assunto até chegar a preleção. Entramos no jogo, aquele primeiro tempo totalmente diferente do que a gente já vinha acostumado a fazer e ter o domínio do jogo, a posse de bola, ditar o ritmo... aí toma 3 a 0 no primeiro tempo e tem uma curiosidade. Naquele tempo o preparador de goleiros não podia ficar no banco. Então eu estava num espaço reservado na arquibancada do antigo Palestra. Eles fizeram um cercado e nos colocaram no meio da social do Palmeiras. 

image
PC Gusmão e Romário com a taça da Mercosul (Foto: Arquivo Pessoal)

Antes de terminar o primeiro tempo eu desci pro vestiário e vou de encontro a comissão, ao Joel, ao Alcir, conversamos e nesse caminho eu vi alguns torcedores do Palmeiras, não sei e eram conselheiros, vibrando, abrindo champanhe, estourando e comemorando antecipadamente. Peguei uma rolha daquelas, levei pro vestiário e mostrei pro pessoal. Falei que eles já estavam comemorando. Ali foi totalmente diferente. Era um grupo sensacional. Totalmente comprometido e com uma qualidade dentro e fora de campo. Era um grupo que tinha muita qualidade. Os 11 que entravam, quem ficava no banco e até os que não eram relacionados. Nós conseguimos aquela virada histórica. Nada diferente da capacidade daquele time. Eu fiquei o segundo tempo inteiro na boca do túnel, atrás do gol do Palmeiras, que era a saída do vestiário, incentivando, passando o tempo que tinha pros jogadores. A cada gol que a gente fazia eu passava que dava, que dava e que dava... e tivemos a felicidade de conseguir aquela virada histórica. Que a cada ano que passa é lembrada, em cada preleção, está na história do Vasco. Andamos em São Januário pelo departamento de futebol e vemos as fotos e aquilo vai ficando na memória, no nosso coração. É uma conquista histórica. A virada do século"


A VISÃO DA ARQUIBANCADA

LIGAÇÃO PRA CASA PRA ACORDAR O PAI E ÔNIBUS PERDIDO APÓS O TÍTULO

Robson Ribeiro, torcedor que esteve no Parque Antártica naquela decisão
"Se não me engano eu estava na metade da faculdade. Fui acompanhado do meu irmão Raphael, que estava no final da dele, e de um amigo, Panela, que também estava na reta final da faculdade e faleceu alguns anos depois. Naquela euforia de torcedor, jogo fora do Rio, querer curtir e presenciar a decisão nós embarcamos na ideia de ir pra São Paulo. Na época, a internet não era como hoje e as informações eram mais difíceis. O que nós sabíamos é que tinhamos que ir pra São Januário, que lá teriam várias opções de caravana rumo ao Parque Antártica. Nós três fomos de carro para São Januário e chegando lá estudamos as opções e por questão de segurança e proximidade, pois somos de Nova Iguaçu, achamos melhor ir com a Vasguaçu. Pagamos um valor que era transporte + ingresso e seguimos para São Paulo. Saímos pouco depois do almoço e chegamos na hora do rush, fomos escoltados pela Polícia Militar, mesmo com a boa relação das torcidas de Vasco e Palmeiras, existe um protocolo de segurança para evitar conflitos com as outras torcidas da cidade. 

image
Robson, em 2019, com o filho Khalil na social durante um jogo em São Januário (Foto: Arquivo Pessoal)

Chegamos no estádio bem próximo do horário do jogo. A partida estava marcada para 21h45, era o jogo da TV. Devia faltar uns 40 minutos pra começar o jogo, foi uma viagem bem cansativa. Entramos naquela euforia, acreditando muito na conquista do título e veio aquele balde de água fria no primeiro tempo. Um 3 a 0 muito rápido. Eu não vi, mas o meu irmão e esse amigo contaram que tinham mais dois conhecidos da nossa cidade que saíram no intervalo e foram pro shopping beber. E perderam a maior virada da história. No intervalo, a torcida estava cabisbaixa, desacreditada, nós vinhamos de uma sequência ruim em decisões, perdemos o Mundial em 98 e 2000, o Carioca pro Flamengo em 99 e 2000 e do Rio-São Paulo pro próprio Palmeiras nesse ano. Estávamos no intervalo da decisão do Brasileirão contra o São Caetano. A onda do vice aflorava muito. E bateu na nossa cabeça todo o sacríficio que fizemos. Na época não era tão comum ir pra outro estado acompanhar um jogo. Um perrengue grande. Meu irmão no dia seguinte tinha que entregar um trabalho de final de curso. No intervalo, nós ligamos pra casa e meu pai tinha até ido dormir. Nós sentamos, fazemos uma análise e falamos que nosso time era melhor. Eles fizeram três gols muito rápido. Foi a partir dos 34, 35 minutos, eu acho. A reflexão que fizemos foi essa. Do jeito que levamos, nós achamos que teríamos a condição de empatar e até virar.

image

Voltamos para o segundo tempo com aquela esperança. É a última que morre, se não a gente tinha saído do estádio como os outros amigos saíram. Acreditando, o Vasco voltou melhor, mordendo mais e logo no começo, uns 15 minutos teve um pênalti e o Romário marcou: 3-1. Logo em seguida, outro pênalti, Romário de novo: 3-2. A esperança já aumentou. E a gente achando que ia dar, aquela vibração, aquela energia e logo em seguida o Júnior Baiano foi expulso. Demorou mais um pouco, voltou aquele sentimento de dúvida. O Joel tinha feito algumas substituições, o Viola tinha entrado muito bem e o time não parou. Teve o terceiro gol do Juninho Paulista: 3-3 e a euforia na arquibancada era enorme. Já tinhamos tirada um resultado adverso gigante... não que estávamos satisfeitos, mas coroou de uma certa forma um jogo que estava praticamente perdido e estávamos levando pros pênaltis. Aí, meu amigo, aquele bate-rebate, a bola sobre pro Baixinho, ele bota pra dentro do gol, a gente olha pro bandeirinha e ele corre pro centro do campo. Meu irmão, êxtase total, glória eterna, ajoelhamos, agradecemos, tinham uma palmeirenses enchendo o saco no intervalo, fomos lá na corda de isolamento e xingamos ele. Ligamos pra casa, meu pai tava dormindo e mandamos acordar ele. Na comemoração, esse meu amigo perdeu o relógio e foi aquela festa toda. 

Na hora de ir embora, nós fomos para o lugar que estava marcado. A menina que organizava o ônibus falou para ficarmos tranquilos e comemorar. Como as torcidas de Vasco e Palmeiras tem bom relacionamento, ficamos por lá bebendo, conversando, alguns palmeirenses passando e parabenizando, outros pararam pra conversar e até troquei uma camisa. Me arrependo profundamente. Tinha uma camisa número 6, do Felipe, preta. Da Kappa, do ano do centenário. Tenho outra daquele ano, do Luizão, mas esse preta era sensacional. Mas naquele época, com a idade, eu achava que era onda, coisa de sair do estado e acabei fazendo essa troca. Num piscar de olhos, quando vimos, estávamos sozinhos por lá. Não tinham muitos vascaínos. Clima ficou mais tenso, correria, polícia chegando e não achamos mais ônibus que estávamos parados. Vimos dois ônibus de uma torcida organizada, entramos sem falar nada e viemos revezando lugar no ônibus. Saltamos ali na Dutra em Nova Iguaçu e foi até a mãe desse saudoso amigo, já de manhã, que foi nos buscar. Meu irmão seguiu pra São Januário, pegou o carro e foi defender o TCC. Todo mundo brinca comigo sobre ter um registro, uma foto desse dia. Na época não se tinha muito o costume de tirar foto, registrar esses momentos em estádio. O que costumo dizer é que está guardado aqui na memória. São momentos que nunca vou esquecer"

image

Reportagens retiradas do Acervo Digital do Jornal O Globo























Comente essa notícia

Videos

Rolé no Rio - Leandro Castan

desenvolvido por: