Em 18/05/2020 às 16h17


Andrezinho do Molejo fala sobre amor pelo Vasco, música da torcida, amizade com ídolos e escala time dos sonhos

Por: Matheus Babo

São Januário, Rio de Janeiro

Qual torcedor do Vasco nunca cantou "Ei! vamos nessa, vem no miudinho, vem no sapatinho, não tenha pressa..." nas arquibancadas de São Januário e do Maracanã? Sucesso do Molejo no fim dos anos 90, o Samba Rock ganhou força com a torcida vascaína quando Edmundo comemorava os gols com a coreografia da música. Um dos integrantes do grupo é um vascaíno de berço. Andrezinho bateu um papo com o Site Oficial e abriu o coração cruzmaltino. Falou da música, da relação com os ídolos, montou o time dos sonhos e relembrou momentos inesquecíveis vividos nos estádios.

- Minha relação com o Vasco começou de berço mesmo. Meu pai (o eterno Mestre André, da bateria da Mocidade) era muito vascaíno, minha mãe também era, minha irmã é vascaína. Na realidade, eu só tenho uma sobrinha que não é Vasco. Tirando a minha família espiritual, que é a do Arlindo Cruz (risos), lá eles torcem pro Flamengo. Aqui é todo mundo Vasco. O meu é de herança mesmo, Vasco e Mocidade - conta Andrezinho, que rapidamente lembra da primeira vez que foi em um jogo do Gigante:

- A primeira vez que vi o Vasco no estádio foi na volta do Roberto Dinamite do Barcelona. O 5 a 2 contra o Corinthians. Meu primo Antônio Carlos, outro vascaíno doente, me levou ao Maracanã. E lá eu toquei na bateria da Força Jovem. Era muito pequeno, mas brinquei. Outras lembranças de estádio eu tenho um montão. O gol do Cocada eu estava no Maracanã eu e Anderson. Eu Vasco, ele Flamengo. Quando nós não éramos muito conhecidos, íamos em jogos do Flamengo com ele e ele ia nos do Vasco comigo. Sempre fomos muito amigos, unha e carne. Tem um Vasco x Cruzeiro pela Copa do Brasil, que o Paulo Roberto, que era nosso lateral, fez um gol de falta lááá do centro do meio-campo (risos) e tirou a gente. E tem outras histórias, mais pra cá. Maracanãzinho, São Januário então tem muita história. Aquele recorde do Edmundo, quando ele fez seis gols contra o União São João, eu estava lá. Essa época eu andava muito junto com ele. Um frio, estádio vazio, jogo morto no primeiro tempo, segundo tempo ele acabou com o jogo e ainda perdeu um pênalti.

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Andrezinho com Dinamite durante um desfile da Mocidade na Sapucaí (Foto: Arquivo Pessoal)

Samba, pagode e futebol são áreas que sempre se relacionaram. Por ser músico de um grupo de sucesso, Andrezinho do Molejo teve a oportunidade de conhecer e conviver com grandes ídolos do Vasco, seu time do coração. As resenhas, segundo ele, são inesquecíveis, como na primeira vez que Edmundo comeu mocotó, que foi na sua casa. As rodas de samba na casa de Romário, a relação com Roberto Dinamite e até a revelação de Euller, que o encontrou no aeroporto no dia que veio ao Rio de Janeiro para assinar com o Vasco:

- Me orgulho muito de ter amizade com todos eles. Os maiores ídolos do Vasco eu tenho amizade. Uns ainda tenho contato, outros não. Por exemplo, o Edmundo a gente andava junto, ia pra noite, fazia churrasco, sempre estava na casa dele. Quem apresentou o mocotó pro Edmundo fui eu. Minha mãe que fez pra ele. O Roberto Dinamite, nosso maior ídolo, passei a ter contato mais recentemente. É uma pessoa sensacional, me trata com maior carinho sempre. Até na internet. E o Romário desde sempre, quando ele foi pro Barcelona, ele vinha pro Rio e chamava a gente. O samba era com a gente. E tem outros que jogaram no Vasco, Pimentel, Odvan toda vez que a gente faz show lá pra perto da terra dele, ele sempre está com a gente... o Pedrinho, Felipe, pra você ver, o Edmundo me chamava de Felipe e o Felipe ele chamava de Andrezinho. Tínhamos o gênio parecido. Yan, que jogou em 92-93-94. Donizete, Júnior Baiano.... tem uma galera. O Euller quando estava vindo pro Vasco eu encontrei no aeroporto de Congonhas e ele me contou que estava indo assinar com o Vasco. Sorato, gol do título lá em São Paulo.


Samba Rock do Molejão: misto de orgulho e timidez

Uma das músicas mais antigas da torcida do Vasco, o Samba Rock do Molejão é cantado em todos os jogos. Popularizada por Edmundo, que comemorava gols fazendo a coreografia da música, a letra tem apenas uma alteração. O refrão "colé, colé, colé... tô na boa" é cantado nas arquibancadas como "colé, colé, colé...sou da Força", em referência a Força Jovem. Para Andrezinho, a música traz um mix de alegria, orgulho e até timidez:

- Fico muito feliz. A torcida do meu time cantando uma música que faz parte da minha carreira, da minha vida e do meu grupo. Isso aí é sensacional. Já tem muito tempo, muito anos, vou agradecer muito ao Edmundo por isso (ele comemorava os gols imitando a coreografia da música). Felicidade plena. Confesso que quando estou no estádio fico com um pouco de vergonha porque todo mundo começa a cantar e fica me olhando (risos). Mas é muito orgulho.

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Edmundo comemora gol em 99 com a coreografia do Molejo (Foto: Reprodução Twitter)

BATE-BOLA
Andrezinho do Molejo, músico vascaíno

1. Qual é o jogo do Vasco que foi inesquecível para você?

São tantos jogos inesquecíveis. É difícil escolher um só. Esse jogo do gol do Cocada, ainda mais porque ganhar do Flamengo é sempre bom... tem vários. Vou escolher esse de 88. Foi sensacional. Arquibancada, final do jogo, sofrendo uma pressão do Flamengo, ele arrancou pela direita, cortou pro meio e soltou o pé. No ângulo. Sensacional.

2. Qual é o seu Vasco de todos os tempos? E quem seria o técnico?

Aí é complicado. Vou fazer um time, com suplente, com outro reserva. É muita gente boa. Vamos lá, no gol: Carlos Germano e ainda tem Barbosa, Mazaropi, Acácio, Helton... mas vou de Germano. Lateral-direita tem Mazinho, Jorginho, Paulo Roberto, que jogou muito no Vasco, Orlando Lelé que eu vi jogar também. Zagueiros, Bellini e Mauro Galvão, mas tem Alexandre Torres, Odvan, Júnior Baiano... e tem mais. Na esquerda o Felipe, mas teve Gilberto, Jorginho Paulista. No meio-campo Dunga, Juninho Pernambucano e Geovani mandando bola pro ataque. Na frente é Edmundo, Romário e Roberto Dinamite. Ainda tem Bebeto, Euller, Evair, Sorato, Valdir Bigode.... é muito difícil. O técnico tem que ser o Antônio Lopes. Delegado.

Nota da redação: O 1 ao 11 de Andrezinho foi Carlos Germano, Mazinho, Bellini, Mauro Galvão e Felipe; Dunga, Juninho Pernambucano e Geovani; Edmundo, Romário e Roberto Dinamite. No banco, Lopes teria Barbosa, Mazaropi e Acácio; Jorginho, Paulo, Roberto e Orlando Lelé; Alexandre Torres, Odvan e Júnior Baiano; Gilberto e Jorginho Paulista; Bebeto, Euller, Evair, Sorato e Valdir Bigode.

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3. Sempre que pode, você está nos estádios acompanhando o Vasco. No fim da década de 90 você ia até ao Maracanãzinho ver o timaço do basquete...

Tem basquete também, acompanhei muito. Era amigo do Sandro Varejão, Mingão, o Vargas eu tive o prazer de conhecer, Charles Byrd, Rogério, Helinho, Hélio Rubens... o trem caipira. O bonde caipira, como chamavam... era um timaço. Ganhou tudo.

4. Quem é o seu maior ídolo no Vasco?

Eu costumo dizer que o maior ídolo do Vasco é o Roberto Dinamite. Tenho o Edmundo também como um grande ídolo do Vasco. E costumo dizer que o Romário é um ídolo do Brasil. 

5. Qual é o jogador do elenco atual que você tem mais identificação? E os Meninos da Colina, quem você acha que pode render bons frutos para o Vasco?

Hoje nós temos o Castan, capitão, que nos identificamos muito pela postura, pelo jogo. O Fellipe Bastos é vascaíno. Sabemos disso, está firme e forte. Vou ficar nessa dupla. A molecada eu espero muito que do Talles e do Marrony. O Talles tenho quase certeza que vai se tornar um dos maiores pra levar nosso nome adiante.

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