Em 30/11/2015 às 15h55


Personagem da decisão, Kelly não esconde alegria ao comentar o título Carioca

Por: Marcella Macedo

Salvadora da pátria! Após marcar o gol do pentacampeonato, a zagueira Kelly viveu uma tarde de heroína no último sábado (28/11). Faltando cinco minutos para o término da partida, que se encaminhava para os pênaltis com o placar de 1 a 1, a jogadora não só cabeceou, como entrou com bola e tudo no gol do time adversário.

- Nunca pedi tanto a Deus para marcar um gol, como nesse jogo. Quando a Angelina foi bater escanteio, eu estava indo para a área junto com a Juliana e disse para ela: "Ju, é agora! Ou eu ou você". Na hora que eu vi, já estávamos no fundo da rede, eu e a bola - contou a jovem.

A cruzmaltina batalhou bastante para chegar até onde está. Sua avó, dona Conceição, fez de tudo para que ela conquistasse seu objetivo. Com dois gols marcados na temporada, a camisa 4 se apaixonou pelo esporte através do seu irmão, Raphael. Desde então, seu maior sonho passou a ser jogar futebol.

- Quando eu era pequena, adorava assistir meu irmão jogando na praça que havia perto da minha casa. Eu morria de vontade de jogar também, mas ele não deixava por medo de me machucar. Até que um dia faltou um menino para completar o time e ele me colocou, aquilo já foi uma realização para mim. Foi quando resolvi que queria o futebol na minha vida. Aos 10 anos, minha avó me colocou em uma escolinha. Fez várias dívidas para que eu pudesse seguir o meu sonho - frisou.

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Kelly posa com a taça do Campeonato Carioca sub-17- Foto: Marcella Macedo-Vasco.com.br

No Almirante há cerca de dois anos, a menina chegou no clube atuando na posição de volante. Devido à necessidades do time, o treinador Antony Menezes precisou adaptá-la como zagueira. Bicampeã Carioca, Kelly possui três títulos pelo Gigante da Colina, incluindo a Taça Cidade de Nova Iguaçu, conquistada no ano passado.

- Soube da peneira do Vasco através de um amigo e consegui passar. Cheguei jogando um pouco mais adiantada, me espelhava no estilo de jogo do Schweinsteiger, tenho ele como um ídolo. Só que em 2014 a equipe estava com precisando de zagueira e o jeito que o técnico achou de suprir, foi me recuar. Evolui muito na defesa e estou muito feliz por ter ajudado o meu grupo nessa conquista - ressaltou a atleta.

Campeão das edições 2011, 2012, 2013, 2014 e 2015 da competição estadual, o time feminino vem se destacando pela sua garra e força de vontade. Embora ainda não tenha o apoio necessário no Brasil, o futebol feminino vem, com apoio do Gigante da Colina, crescendo cada vez mais. A vascaína, comentou sobre os obstáculos encontrados no esporte.

- No início foi complicado, eu treinava só com meninos e era difícil para eles aceitarem. Me diziam que por ser mulher, tinha que me doar mais, caso quisesse ser vista. Nunca dei ouvido para o que os outros falavam, meu irmão sempre me disse para fazer o meu e não me importar com as opiniões alheias, sou muito grata a ele por ter me apresentado ao futebol. Esse troféu veio para coroar o nosso ano. Passamos por muitas dificuldades, mas graças a Deus, aos nossos pais e a nossa comissão, conseguimos traze-lo para casa - destacou a jogadora.

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