Em 10/10/2016 às 15h24


Em evento sobre racismo, Vasco destaca sua posição na luta contra a discriminação racial no esporte

Relatório da Discriminação Racial no Futebol de 2015 é divulgado em São Januário. Foram identificados 41 casos de racismo no Brasil, sendo 37 no futebol e quatro em outros esportes

Por: Matheus Alves e Thiago Moreira

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(Da esquerda para direita) Maurício Corrêa da Veiga, diretor jurídico do Vasco, Marcelo Carvalho, diretor do Observatório Racial, Felipe Belivacqua, procurador do STJ, presidente Eurico Miranda e Luiz Manoel Fernandes, presidente do Conselho Deliberativo - Foto: Paulo Fernandes/Vasco.com.br

A luta do Vasco contra o racismo é o seu maior título fora dos gramados. Durante toda sua história, o Cruzmaltino é reconhecido pela igualdade no esporte em atos que ressaltam a importância do ser humano, independente de sua raça, credo ou gênero. Na tarde desta segunda-feira (10/10), mais um capítulo desta linda trajetória foi escrito no Complexo Esportivo de São Januário. Na Sala dos Grande Beneméritos, o presidente Eurico Miranda, ao lado do presidente do Conselho Deliberativo, Luis Manuel Fernandes, do diretor jurídico do clube, Maurício Corrêa da Veiga, e do Procurador do STJD Felipe Bevilacqua, divulgou o Relatório de Discriminação do Futebol no ano de 2015, realizado pelo Observatório da Discriminação Racial, representado no evento pelo diretor Marcelo Carvalho.  

- Estamos abrindo espaço para esse relatório anual da Discriminação. Essse é um tema que tem muito a ver com o Vasco, o que esse clube representa. Quando fui questionado se podíarmos sediar, prontamente fiquei de acordo. Espero que sirva para demonstrarmos efetivamente o que ocorreu e o que ocorre no nosso país e de que forma podemos contribuir para que a gente acabe definitivamente com a essa coisa chamada discriminação racial. O Vasco tem uma tradição histórica e por isso reafirmo a nossa intenção de colaborar ao máximo com essa questão - afirma o presidente Eurico Miranda.

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Ao lado de Denis Carrega Dias (vice-presidente de Relações Especializadas), Jomar mostra presente recebido de Marcelo Carvalho, diretor do Observatório - Foto: Paulo Fernandes/Vasco.com.br

Foram identificados 41 casos de racismo no Brasil, sendo 37 no futebol e quatro em outros esportes no estudo realizado pelo Observatório da Discrminação Racial do Futebol, divulgado no evento,  O diretor da ONG, Marcelo Carvalho, ressalta que muitas ocorrências não ganham mídia e as punições acabam não acontecendo. 

- O caso de racismo é noticiado, gera repercussão, mas não encontramos informações das punições. Existe lei contra o racismo, mas não há ninguém preso. O problema existe, mas o que a gente faz com esse problema? Se não debater, lutar contra isso, vai continuar existindo. O pior a se fazer é o silêncio – ponderou Marcelo.

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Nezinho deu seu testemunho sobre o racismo no basquete - Foto: Paulo Fernandes/Vasco.com.br

Atletas do futebol, basquete e atletismo do clube maracaram presença de debate, com destaque para o zagueiro Jomar e o atacante Thalles, além do armador Nezinho, que deu um depoimento forte sobre um caso de racismo que sofreu dentro das quadras.

- Estava disputando a semifinal do Campeonato Paulista pelo Ribeirão Preto, ainda estava estudando nessa época. Tentaram nos desequilibrar. Chamaram o Alex (Hoje no Bauru), de pedreiro, e eu, de macaquinho e negrinho de merda. Quando acabou o jogo, queria parar de jogar basquete. Fui pesquisar a história do Vasco e fiquei muito feliz em ver que o clube que defendo lutou pelos negros e operários em 1924 - ressalta Nezinho.

Jomar relata choro após ser discriminado e diz que aprendeu com a situação. Hoje, no Vasco, o zagueiro afirma que sempre foi bem tratado e nunca sofreu com nenhum problema dentro do clube.

- Já sofri racismo no meu ex-clube, quando fui substituído. Eram um branco e um negro. Me chamaram de macaco. Ali fiquei pensando: "Qual palavra vou dar para ele? Deus te abençoe". Tomei meu banho tranquilo, e a primeira coisa que fiz foi abraçar a minha mãe, chorando. Não posso levar essa coisa adiante, tenho que procurar esquecer. Temos que dar um basta nisso. Aqui no Vasco sempre fui bem tratado - destaca o zagueiro. 

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Sala de Beneméritos lotada para debate sobre a luta o racismo - Foto: Paulo Fernandes/Vasco.com.br

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Presidente Eurico Miranda falou sobre a luta do Vasco contra o racismo - Foto: Paulo Fernandes/Vasco.com.br

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Jomar e Thalles acompanham debate - Foto: Paulo Fernandes/Vasco.com.br

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