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Revitalização do Bairro de São Cristóvão

Denominado Bairro Imperial por um decreto da Prefeitura do Rio de Janeiro, em 15 de agosto de 2007, São Cristóvão deseja voltar a ser um endereço nobre, como aconteceu na época do Brasil Imperial, quando a região acolhia a nobreza do país, como a família imperial, os barões e os grandes negociantes, que viviam em sobrados de estilo colonial ou em casarões neoclássicos. Para atingir esse objetivo, um grupo de empresários com interesses comerciais no bairro, diretores de museus, moradores e lideranças comunitárias se uniram para criar, em abril de 2009, o Conselho de Revitalização do Bairro Imperial, que é liderado pelo arquiteto e urbanista José Conde Caldas.

O arquiteto é presidente da Construtora CONCAL, que desenvolve projetos imobiliários em São Cristóvão. O Conselho vai realizar um trabalho semelhante ao que já acontece em países desenvolvidos, como o BID – Business Improvement District, que surgiu pioneiramente no bairro de Chinatown na cidade norteamericana de Los Angeles, reunindo empresas privadas e órgão públicos trabalhando juntos para revitalizar as áreas urbanas degradadas da região onde estavam sediados.

Uma das primeiras iniciativas do Conselho foi propor à Prefeitura um choque de urbanismo e luz no bairro. Estão previstas a instalação de quiosques e postes de iluminação mais potentes no entorno da Quinta da Boa Vista, a construção de uma passarela climatizada, com escada rolante, ligando o metrô ao parque de 540.000 m², além da implantação no Museu Nacional de um espetáculo Som & Luz, nos moldes do show que é realizado no Museu Imperial de Petrópolis, orçado em US$ 6 milhões.

O principal argumento do Conselho de Revitalização para que a Prefeitura e o Estado voltem a dar atenção para ao bairro são os números. Segundo a Câmara Comunitária de São Cristóvão, há cinco novos prédios em construção ou em vias de serem entregues e outros três lançamentos. Nos próximos cinco anos, o bairro deve receber de volta os 20.000 moradores que foram perdidos nas últimas décadas. Somente em IPTU, o empreendimento Paço Imperial irá gerar uma arrecadação anual de R$ 520 mil. Além disso, os lançamentos imobiliários no bairro são um sucesso tão grande, que o Condomínio Quinta do Conde, lançado há apenas seis meses, já está com metade dos 240 apartamentos vendidos. Nesse cenário, São Cristóvão é atualmente o bairro que oferece mais potencial construtivo da cidade. O metro quadrado construído, que antes custava R$ 2.200, passou para R$ 3.500, ou seja, teve uma valorização de quase 60%, superando os valores, por exemplo, do bairro vizinho da Tijuca.

Segundo o presidente do Instituto Pereira Passos (IPP), Felipe Góes, a revalorização do bairro já está acontecendo com a chegada de badaladas grifes cariocas no Arranjo Produtivo Local (APL) Modacarioca. Para ele, a mudança de perfil de São Cristóvão deve se consolidar com as obras de revitalização do Maracanã para a Copa de 2014. O trem-bala Rio/São Paulo, com embarque na Estação da Leopoldina, também será um marco para o Bairro Imperial. Segundo o Secretário Estadual de Transportes, Júlio Lopes, o trem causará um impacto de crescimento numa área de 11 milhões de metros quadrados edificáveis, que inclui o bairro.

Nesse cenário promissor e altamente positivo, o Club de Regatas Vasco da Gama está ampliando seus canais de comunicação com empresas e órgãos públicos e participando de atividades que beneficiam comunidades do seu entorno, aderiu aos trabalhos e aos objetivos do Conselho de Revitalização e já sediou uma das reuniões dos empresários e moradores na sua sede de São Januário. Os integrantes do Conselho gostaram tanto da acolhida hospitaleira que solicitaram ao clube que continuasse a abrigar as reuniões seguintes. O mais provável é que as reuniões futuras aconteçam em sistema de rodízio e o que merece ser destacado nesse processo é a participação do Club de Regatas Vasco da Gama nas ações em prol da revitalização do bairro histórico que abriga sua sede.